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Do Casulo à Borboleta
Grupo Morin
(1993 - 1994)Foi iluminado pelo espírito de religar saberes que passou a existir, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Grupo Morin. Na época, a tese de doutorado intitulada "O Saber Antropológico: complexidades, objetivações, desordens, incertezas", orientada por Edgard de Assis Carvalho e recém-defendida por Ceiça Almeida gerava uma demanda por parte de pesquisadores e estudantes de várias áreas em torno da temática da complexidade e das idéias de Edgar Morin. Ao invés de multiplicar diálogos individualizados, optou-se pela discussão coletiva.
A situação do casulo, que acolhia a gestação de um fazer acadêmico alimentado por um novo estilo intelectual, o Grupo Morin precisava de um espaço para encontros quinzenais.Foi a base de pesquisa coordenada pelo colega Willington Germano que propiciou um lugar para os encontros. Willington Germano continuou durante todos esses anos a cultivar conosco o sonho de uma ciência marcada pela leveza. Ele tem sido uma bússola que encaminha o Grecom em direção a horizontes cada vez largos.
Assim, pois, começou a existir o Grupo Morin: como um casulo aglutinador de interesses diversos que foi construindo - sem que disso tivesse plena consciência - um espaço, um estilo e uma estética do fazer acadêmico orientado para rearticular vida e idéias, para interrogar as verdades unitárias e, sobretudo, para exercitar um processo de pesquisa mais coletivo porque mais partilhado.
O vôo: nascimento do GRECOMO GRECOM tem por objetivo desenvolver pesquisas na perspectiva da complexidade. É um espaço de reflexão que se afina com a construção de um conhecimento de natureza transdisciplinar e superador das fraturas entre homem/vida/mundo/physis, tal como sugerem David Bohm, Edgar Morin, Ilya Prigogine, Boris Cyrulnik, Claude Lévi-Strauss, Humberto Maturana, dentre outros pensadores.
O GRECOM reúne pesquisadores de distintas áreas do conhecimento que se propõem exercitar o alargamento dos limites disciplinares, com vistas à construção de um espaço dialógico caracterizado pela civilização das idéias. Defende a emergência de um novo sujeito capaz de dialogar, de modo mais solidário e respeitoso, com outros saberes não domesticados pelos códigos da ciência, como a arte e a literatura. Acalenta o sonho da emergência de um sujeito mais comprometido com os destinos do planeta.
O GRECOM é a metamorfose e a ampliação do Grupo Morin, criado em 1992, na UFRN. Está ligado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes e ao Programa de Pós-Graduação em Educação, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, através do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Ciência e Tecnologia - NEPECT.A dinâmica de funcionamento do GRECOM comporta, além do desenvolvimento das pesquisas, seminários internos de estudo, seminários externos, atividades em parceria com outros grupos de pesquisa, espaços culturais de Natal e instituições do país e do exterior, em especial, com o COMPLEXUS - Núcleo de Estudos da Complexidade (PUC-SP) e a Association pour la Pensée Complexe (Paris).
Temáticas de Investigação
O GRECOM desenvolve seus estudos e pesquisas organizados em três eixos temáticos que, longe de serem estanques e estabelecerem limites para os estudos, transversalizam-se a partir de quatro operadores cognivitos: metáforas, diálogos, imaginação e memória. Esses operadores estão vinculados à linha de pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Ciência e Tecnologia (NEPECT) do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, que se define pelo compromisso em desenvolver conhecimentos pautados em estratégias cognitivas que tem como meta maior a busca do entendimento dialógico.Conhecimento científico e Saberes da Tradição
Estudos que discutem a relação ciência e tradição a partir da possibilidade de diálogo entre essas formas de representação do mundo, com vistas a consolidar uma "ecologia das idéias" e ultrapassar as estratégias dualizadas do pensamento. Longe de operarem a redução de uma leitura à outra, esses estudos apostam na dialogia entre distintos modos de pensamento.Dinâmicas de Pensamento e Produção de Conhecimento
Estuda as estratégias cognitivas que possibilitam entender e explicar fenômenos físicos, dinâmicas sociais e sistemas de valores e crenças, a partir de instrumentos de pensamento como analogias, homologias, simetrias, associações, dissociações, hierarquizações, totalizações, através de recursos como metáforas, imaginação, memória e diálogos com vistas a rejuntar e produzir diferentes saberes.Ciência, Arte e Literatura
Estudos que buscam religar ciência, arte e literatura com o objetivo de promover maior socialização dos saberes e exercitar uma nova estética do pensamento e da produção científica. Inclui a produção de materiais estético/imagéticos que venham a se constituir em ferramentas facilitadoras para a compreensão da idéia de complexidade.
O fio de Ariadne
Certamente, todo percurso labiríntico requer um fio de Ariadne. Não para evitar as errâncias tão necessárias e instrutivas, mas para nos acompanhar e conosco partilhar os desafios, erros e acertos contidos em qualquer estrutura labiríntica - sejam elas reais ou imaginais. A parceria maior, o diálogo nos limites que comportam todos os riscos, o fio de Ariadne para o GRECOM tem um nome: Edgard de Assis Carvalho. Ele tem sido parte do nosso cotidiano. Tem atuado como visitante junto aos programas de Pós-Graduação em Educação e Ciências sociais, ministrando cursos, partilhado publicações, co-orientado teses e dissertações, discutido estratégias de trabalho. Vivido momentos difíceis, pensando conosco o futuro.
Coordenado pela psicanalista Terezinha Mendonça, essa nova emergência de complexidade gestada fora da instituição universitária mantém-se no mesmo diapasão dos grupos de Natal e São Paulo. A partir de 2002, o NPC/RJ dá origem ao IEC, Instituto de Estudos da Complexidade.
O Pouso do Ícaro
O novelo do fio de Ariadne pode ser pensado como tendo várias pontas. Uma delas foi certamente a responsável pelo pouso de um Ícaro que, descendo com leveza em Natal, ficou para sempre. O fio, dessa vez, tece uma ligação entre continentes. A relação virtual iniciada em 1992 com Edgar Morin torna-se real-afetual-intensa-incerta-complexa. Edgar chega em Natal pela primeira vez em maio de 1998.
No tempo mínimo que contabiliza dois entardeceres e duas noites, Edgar tem um encontro com o GRECOM, profere uma conferência sobre "Amor, Poesia e Sabedoria", visita o Forte dos Reis Magos, concede entrevista coletiva à imprensa, dança ao redor de uma fogueira cigana, entra no mar de águas mornas de Ponta Negra, conhece o Morro do Careca. Um dos maiores pensadores do mundo contemporâneo demonstra o que é a juvenilização, de que trata tão bem em O Paradigma Perdido.
Um ano depois, em 1999, como que para confirmar a tese do eterno retorno, Edgar volta a Natal. Dessa vez, a convite da reitoria da UFRN para receber o título de doutor Honoris Causa. Profere conferência sobre "A cidade e o Século XXI", num evento em comemoração ao aniversário dos quatrocentos anos de Natal. Relembrou suas escalas no Aeroporto de Natal, durante suas viagens intercontinentais na década de quarenta. De dentro do avião, tudo o que via, segundo ele, era uma propaganda da coca-cola. Comentou sobre Exupéry, Nísia Floresta e Augusto Comte. Referiu-se a Natal como se estivesse falando de sua própria terra-pátria.
No dia sete de junho ocorre a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa. Escolhida em nome da reitoria para saudar o homenageado, Ceiça Almeida expressa o perfil do mais novo integrante do quadro docente da UFRN.
Conferência - Polifônicas Idéias com Edgar Morin
(Natal-UFRN/1998)
Edgar Morin e os pesquisadores do Grecom


Maria da Conceição
de Almeida com Edgard Carvalho, parceria intelectual pautada no respeito mútuo e
na cumplicidade ética
Tinha-se como horizonte a reflexão sobre o processo de produção do pensamento cindido pelo paradigma cartesiano. Contando com pesquisadores das áreas de Educação, Ciências Sociais e Filosofia, o grupo contemplou simultaneamente os domínios das objetividades e do imaginário, das historicidades e das idealidades.
O objetivo central do grupo era deter-se sobre a obra do pensador francês Edgar Morin, fixando, por semestre, um tema orientador da leitura, com a finalidade de contribuir, coletivamente, para os projetos pontuais de investigação de pesquisadores participantes.
Essa parceria nas idéias, a princípio de Edgard Carvalho com o GRECOM, se transforma em umaconexão mais institucional entre nós e o COMPLEXUS-PUC/SP, criado em 1997 e coordenado por ele. Nesse mesmo ano, os dois grupos promovem o "I Laboratório Brasileiro para o Pensamento Complexo" do qual resulta a Declaração Brasileira para o Pensamento Complexo. Presentes ao encontro, as professoras Isabel Petraglia e Cleide Almeida, da UNINOVE, posteriormente criam um outro grupo de complexidade em São Paulo, o NIIC.
Os laços entre GRECOM/Natal-COMPLEXUS/São Paulo tornam-se cada dia mais intensos e fecundos, e o estreitamento desses laços tem certamente como catalisador importante a aproximação institucional da professora Maria Lúcia Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação em Serviço social da PUC/SP.
O efeito multiplicador dessas conexões entre São Paulo e Natal ressoou no mesmo tom de sintonia e afinidade com o Núcleo de Estudos para o Pensamento Complexo do Rio de Janeiro, o NPC/RJ.