DELIS
Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável


A questão da sustentabilidade não remete meramente a conservação da natureza e à administração de ecossistemas, em uma concepção mais ampla, aponta para novos modelos de desenvolvimento e para transformações sociais. Sendo assim é preciso trazer a discussão da sustentabilidade para o campo das relações sociais.

A conservação dos recursos naturais deve estar, portanto, articulado com outros objetivos, entre eles o enfrentamento da pobreza, a equidade, a justiça social, a democracia, a garantia de organização social, dos direitos trabalhistas, a um ambiente saudável e ao bem-estar geral. Requisitos mínimos para o exercício e o fortalecimento da cidadania e parte inseparável do processo do desenvolvimento.

Por desenvolvimento local integrado e sustentável estamos considerando o conceito apresentado por Augusto de Franco (1998) , por ele apontado com resultado de um amplo debate entre organizações não governamentais, de governo e organismos internacionais:

"Desenvolvimento local integrado e sustentável é um novo modo de promover o desenvolvimento que possibilita o surgimento de comunidades mais sustentáveis, capazes de suprir suas necessidades imediatas, descobrir ou despertar suas vocações locais e desenvolver suas potencialidades específicas além de fomentar o intercâmbio externo, aproveitando-se de suas vantagens locais."

É importante ressaltar que o conceito de sustentabilidade é um princípio em construção, sobre o qual não existe uma hegemonia de pensamento. Cabe à sociedade a responsabilidade de construir um desenvolvimento sustentável assim como de criar condições para que amplos setores e atores sociais participem dessa construção, considerando as realidades ecológicas e socioculturais locais.

Segundo Joachim H. Spangenberg , a sustentabilidade não pode ocorrer de forma isolada a um país, região ou área circunscrita, tendo em vista a realidade de um mundo interligado em termos econômicos e comunicativos, ao mesmo tempo é preciso reconhecer a necessidade de cada região enfrentar de forma autônoma seus dilemas e perspectivas em relação ao futuro, construindo modelos próprios. Cabe às comunidades locais, enquanto atores sociais plenamente capazes, formular sobre seu próprio desenvolvimento.

A cidade, enquanto uma das dimensões desse local precisa considerar componentes não mercantis na discussão da sustentabilidade e deve ser entendida como "espaço de qualidade de vida". Como um espaço de exercício da cidadania ativa e de expressão das identidades, valores e heranças, que são construídos ao longo do tempo e não apenas enquanto espaço de produção de riqueza. Considerar esses fatores possibilita o fortalecimento do sentimento de pertencimento dos habitantes a suas cidades. Isso é particularmente importante quando se pensa em envolver a juventude em uma estratégia de enfrentamento da pobreza, priorizando o espaço local, tal qual apresentado nesta proposta.

A noção de desenvolvimento sustentável passa por diversas matrizes discursivas, algumas, com foco nas bases técnico materiais outras têm como pressuposto o espaço das cidades pensado em razões de "qualidade de vida". Esta última opção pressupõe uma abordagem inter e trans-disciplinar e a adoção de valores éticos como orientadores da ação política.

Sobre esta questão, o Projeto Brasil Sustentável e Democrático assim define o espaço das cidades neste contexto:
(...) Mas pensar a cidade é também pensar o bairro, o espaço do quotidiano, da convivência. É necessário pensar as formas de construção/reconstrução do tecido social através do lazer, da cultura, do enfrentamento dos problemas locais, como forma de resistência e embrião de uma nova cidade, espaço de exercício da cidadania e lugar de experimentação e aprendizado para o enfrentamento das questões no espaço da metrópole."

Uma das causas da insustentabilidade é o desequilíbrio entre as necessidades cotidianas da população e os meios de as satisfazer, que por sua vez, passa pela incapacidade das políticas urbanas adaptarem a oferta de serviços às demandas sociais, pela ausência de mecanismos distributivos desses serviços.

Construir outras vias e saídas para a superação da exclusão, miséria e desigualdade social passa pelo empoderamento das pessoas e comunidades aumentando assim sua capacidade de interlocução com as instituições públicas e privadas visando a captação de recursos e investimentos de diversas ordens.

O empoderamento, por sua vez, pressupõe a educação e capacitação técnica e política para o desenvolvimento, a constituição de novas bases de informação, com a produção e socialização de indicadores locais de desenvolvimento, que incorporem índices de qualidade de vida e de desenvolvimento humano. Precisa também da aplicação de estratégias eficientes de comunicação e marketing social que possibilite um fluxo permanente de informações, o despertar para as possibilidades e vantagens de um processo de desenvolvimento mais solidário e ético.

Frente ao perfil da área de atuação proposta no Projeto Engenho de Sonhos, - a Região Oeste do Natal - que detém alguns dos piores indicadores de qualidade de vida da cidade, a discussão de projetos de desenvolvimento sustentável deve enfrentar além das questões de ordem econômica, aspectos de qualidade de vida. Mobilizando as pessoas em torno da reflexão e ação para solução de seus problemas. Sendo assim uma das estratégias será o direcionamento de energias e recursos disponíveis para produzir bens e serviços sociais, pois esta é uma lógica comprometida com resultados que ao mesmo tempo realiza uma dinâmica includente, ética e sustentável.