GEOPROCESSAMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO GEOTÉCNICO DO MUNICÍPIO DE NATAL-RN E ÁREAS ADJACENTES

Melquisedec Medeiros Moreira, Geól° , M.Sc, Bolsista DCR/CNPq/DEC/UFRN. End. Postal: Rua das Violetas, 673, Bairro: Mirassol, Cep: 59075-160 - Natal/RN.

Newton Moreira de Souza, Eng° Civil, D.Sc, Prof. Adjunto UnB. End. Postal: UnB/Depto. de Eng. Civil/FT/SG-12, Cep: 70910-900 - Brasília/DF.

INTRODUÇÃO

A região de estudo situa-se no litoral oriental do estado do Rio Grande do Norte, compreendendo o Município de Natal-RN e áreas adjacentes, que consistem de parte dos municípios de Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Extremoz. O mapeamento geotécnico foi executado na escala 1: 50.000, com o objetivo principal de confeccionar mapas e cartas que visam um melhor entendimento e o fornecimento de subsídios para prevenir e orientar a ocupação, a ocorrência de riscos e a proteção ambiental. Seguiu-se a metodologia da EESC/USP (Zuquette, 1987, 1993), compreendendo trabalhos de gabinete, de campo, laboratório e recursos computacionais para o armazenamento e tratamento dos dados de investigação que compreendem recursos de geoprocessamento. Estes recursos podem agilizar e viabilizar as atividades de levantamento, análise, finalização e posteriores atualizações das informações espaciais (Souza, 1994).

Os produtos apresentados no mapeamento geotécnico do Município de Natal-RN e áreas adjacentes, e que constam em Moreira (1996), foram: Mapa de Documentação e Topográfico, Carta Hipsométrica e de Declividade, Mapa do Substrato Geológico, de Materiais Inconsolidados, da Profundidade do Impenetrável, Potenciométrico, de Iso-profundidade do Nível das águas subterrâneas, Pedológico, Carta Orientativa para Escolha do Tipo de Fundações, de Susceptibilidade a Erosão, de Condições de Escavabilidade, para Disposição de Resíduos Sólidos e Carta de Zoneamento Geotécnico Geral. Neste texto, a título de exemplificar técnicas de representação das informações de mapeamento geotécnico utilizando o Geoprocessamento, destaca-se a elaboração do Mapa Topográfico, Carta Hypsométrica e Mapa da Profundidade do Impenetrável.

METODOLOGIA DE TRABALHO

A execução do trabalho compreendeu quatro etapas a saber: de levantamentos de informações e de fotointerpretação, de campo, de laboratório e de confecção das cartas, que serão descritas a seguir.

A) Etapa de levantamento de informações e fotointerpretação - Consistiu no levantamento de informações disponíveis da área a ser estudada, abrangendo fotografias aéreas na escala 1:40.000; mapas topográficos (24 folhas plani-altimétricas de toda área da Grande Natal, fornecidas pela SEPLAN/RN - Secretaria de Planejamento do Estado do Rio Grande do Norte), na escala 1:10.000 com espaçamento entre as curvas de nível de 10 em 10 metros; geológicos; pedológicos; hidrográficos; perfis de sondagens com S.P.T.; perfis litológicos de poços de captação de água subterrânea; resultados de ensaios; além de inúmeros trabalhos e artigos que englobam a geologia da região e ciências afins.

Paralelamente ao levantamento de informações, realizou-se a interpretação de fotografias aéreas, sendo elaborados os mapas seguintes: hidrológico; lineamentos de relevo e zonas homólogas.

Executou-se também o estudo dos perfis de sondagens de simples reconhecimento (com S.P.T.), onde foram delimitados diferentes horizontes geológicos e suas espessuras. Posteriormente, estes horizontes foram caracterizados com base no S.P.T..

B) Etapa de campo - Consistiu da descrição detalhada de diversos locais ao longo da área, objetivando as definições das unidades litológicas, suas relações de contato e parâmetros estratigráficos/geomorfológicos/estruturais, como também aspectos do uso e ocupação do solo e tipo de ocupação; envolveu ainda coleta de amostras para ensaios, perfis e croquis esquemáticos. C) Etapa de laboratório - Compreendeu os ensaios de caracterização, realizados em 59 amostras coletadas ao longo da área, consistindo de granulometria por peneiramento e por sedimentação, limite de liquidez, limite de plasticidade e densidade real dos grãos.

D) Etapa de confecção de cartas - Constou da elaboração de um conjunto de mapas básicos, executados através das informações produzidas nas etapas anteriores e, a partir destes, foram elaboradas as cartas derivadas.

Nesta etapa, utilizou-se o Sistema Geográfico de Informação - SGI e o Sistema Interativo de Tratamento de Imagens - SITIM, desenvolvidos pelo INPE, que consistem em um dos sistemas de geoprocessamento mais difundidos no Brasil e por terem todas as características básicas do geoprocessamento, podem ser adotados para incorporação dessa tecnologia na elaboração da cartografia geotécnica.

LOCALIZAÇÃO

A área em estudo abrange aproximadamente 317 km2 e está situada no litoral leste do Rio Grande do Norte, compreendendo o Município de Natal e parte dos municípios de Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Extremoz (RN). Constitui um polígono irregular, definido previamente pela limitação das cartas topográficas em escala 1:10.000, cujos extremos são limitados pelo retângulo envolvente com latitudes 9.344 km N e 9.369 km N e longitudes 237 km E e 262 km E.

MAPA TOPOGRÁFICO, CARTA HYPSOMÉTRICA E MAPA DA PROFUNDIDADE DO IMPENETRÁVEL

Foram digitalizados no sistema SGI as curvas de nível equidistantes de 10 m, das bases planialtimétricas da SEPLAN- RN (Secretária de Planejamento do estado do Rio Grande do Norte), em escala 1:10.000 (1978), gerou-se um mapa topográfico, onde a interpolação dos dados de altitude produz uma distribuição em forma contínua, o formato MNT (Modelos Numéricos de Terreno). Neste mapa foi efetuado um fatiamento do MNT topográfico, transformando-o na carta Hipsométrica, apresentando faixas altimétricas de amplitudes de 20 m. Visualiza-se também o mapa topográfico em forma de imagens de níveis de cinza, em formato vetorial, apresentando as isolinhas de curva de nível, e em blocos diagramas.

O mapa da profundidade do impenetrável representa a tendência da distribuição da espessura do penetrável a percussão na região mapeada, tendo sido obtido a partir de 54 pontos de investigação por sondagens SPT. Inicialmente foram digitalizados os pontos com sua respectiva espessura, equivalente a profundidade do impenetrável, a partir daí os dados foram interpolados produzindo assim, uma distribuição em forma contínua (formato de MNT - Modelos Numéricos de Terreno). Este mapa foi transformado em blocos diagramas e em forma de imagens de níveis de cinza.

CONCLUSÕES

O geoprocessamento esteve presente em todas as fases do mapeamento, mostrando-se de extrema importância na confecção de todos os mapas e cartas. A existência de folhas topográficas na escala 1:10.000 auxiliaram de forma a levar a precisão do presente mapeamento, a níveis bastante confiáveis, onde a utilização do sistema SGI mostra-se de extrema importância pela automação da tarefa de mudança de escalas.

O mapa da Profundidade do Impenetrável representa a tendência da distribuição da espessura do penetrável na região mapeada, verificando no mesmo que as menores profundidades do impenetrável ocorrem de uma forma geral nas regiões onde afloram as unidades do substrato geológico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS/ENGESPAÇO. 1990. Sistemas de Informações Geográficas - SGI/INPE - Manual do usuário, versão 2.1. São José dos Campos.

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS/ENGESPAÇO. 1990. Sistema Interativo de Tratamento de Imagens - SITIM/INPE - Manual do usuário, versão 2.1. São José dos Campos.

MOREIRA, M.M. 1996. Mapeamento Geotécnico do Município de Natal-RN e Áreas Adjacentes. Dissertação de Mestrado, Publicação G.DM-028A/96, Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 148p.

SECRETARIA DE PLANEJAMENTO. 1979. Rio Grande do Norte. Grande Natal - Plano de desenvolvimento regional urbano. s.1., v.1.

SOUZA, N. M. 1994. Contribuição à Cartografia Geotécnica com uso de Geoprocessamento: Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informações Geográficas. 2 V. Tese de Doutoramento. EESC/USP, São Carlos, SP, 189p.

ZUQUETTE, L.V. 1987. Análise crítica da cartografia geotécnica e proposta metodológica para as condições brasileiras. Tese de doutoramento. EESC/USP. 3 vol., 673 p.

ZUQUETTE, L.V. 1993. Importância do Mapeamento geotécnico no Uso e Ocupação do Meio-Físico: Fundamentos e Guia para Elaboração. Livre-Docência, EESC/USP, 3v., São Carlos - SP. 368p.