EXTRAÇÃO, BENEFICIAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DAS FIBRAS DA FOLHA DO ABACAXIZEIRO

Ubirajara Vasconcelos do Nascimento Silva +
Ana Maria Santos de Azevedo +
André Moacyr Rossi +
Leonardo de Oliveira Medeiros +
José Ivan de Medeiros, M.Sc *
Rasiah Ladchumananandasivam, Ph.D #
+ Curso de Engenharia Têxtil - UFRN
* Departamento de Economia Doméstica - UFC
# Departamento de Engenharia de Produção e Têxtil - UFRN

Correspondências para: Rasiah Ladchumananandasivam
Cx. Postal 1642 - Campus Universitário - Natal/RN - Cep. 59072-970

INTRODUÇÃO

Atualmente existe na economia mundial, principalmente aquela dos países em desenvolvimento, uma tendência para o aproveitamento dos recursos naturais, que quando explorados adequadamente, oferecem não só a criação de novos produtos mas também oportunidade de novos empregos e desenvolvimento de novas tecnologias.

O Brasil é um país onde a exploração dos recursos naturais está assumindo importância fundamental para a melhoria e possível solução de problemas sócio-econômicos, especialmente nas regiões menos favorecidas, como é o caso do Nordeste. Observa-se que no Brasil há um desperdício muito grande de vários produtos vegetais entre eles está a folha do abacaxizeiro.

No geral a produção no Nordeste vem mantendo-se constante, entretanto elevada se comparada com a produção das demais regiões brasileiras. Quem também merece destaque é o Norte que vem apresentando um crescimento considerável nos últimos anos.

Com isso pode-se afirmar que, no geral, a produção do abacaxi está cada vez mais ganhando força. E aproveitando esta oportunidade em que a produção do fruto cresce e que as folhas são desperdiçadas estudou-se um modo de aproveitá-las.

Para se ter uma idéia (em números) da grandiosidade da produção, o Brasil em 1988 produziu cerca de 1.012.806 toneladas* de abacaxi. Em média a produção anual é de 860 mil toneladas*.

* IBGE- Anuários Estatísticos do IBGE- 1989/1995.

OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo principal o aproveitamento das folhas do abacaxizeiro (planta do abacaxi) para fins têxteis, tendo em vista que estas são desperdiçadas pelos seus produtores. A base do trabalho são as fibras das folha.

No aspecto sócio-econômico visa-se com isso a geração de emprego e renda principalmente para a população rural que mora próximo ao cultivo da planta pois é aí onde uma maior abundância do material.

Para que se possa utilizar as fibras da folha do abacaxizeiro para fins têxteis é de fundamental importância um estudo minucioso destas, verificando e analisando suas propriedades físicas e químicas, tais como: resistência ao calor, resistência ao frio, elasticidade, capacidade de absorção, etc.

Uma vez que tendo estas qualidades favoráveis para fins têxteis, será realizado um estudo econômico entre matéria-prima/produto final, envolvendo a qualidade do mesmo e o sistema de produção de maneira proporcionar condições que nos permita a analisar a viabilidade econômica do projeto.

Para que se possa obter as fibras de uma maneira mais rápida e mais eficaz está sendo desenvolvida uma desfibradeira.

METODOLOGIA

A princípio este trabalho é dividido em duas partes (duas tarefas) realizadas paralelamente:

  1. Coleta e análise de dados da produção;
  2. Fabricação da desfibradeira;

1 - Para se ter idéia da importância da produção do abacaxi não só no Estado ou na região, e sim em todo o Brasil, foi feita uma série de pesquisas nas mais diversas instituições.

Obteve-se os dados da produção Nacional, e por Estados, a partir dos quais foram feitos planilhas, gráficos e análises.

No Rio Grande do Norte a produção do abacaxi está cada vez mais participando da economia do Estado. Está sendo feita uma análise detalhada desta produção pelos municípios mais produtores e sobre as fazendas mais produtoras, de modo que, juntamente com estes se possa avaliar a necessidade de criação de cooperativas.

Pesquisou-se as instituições e estabelecimentos:

  • Casa da Indústria;
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
  • Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do RN - (IDEC)
  • Secretaria de Planejamento e Agricultura
  • EMPARN.

2 - A execução do desenho está sendo feita através do programa AUTOCAD14.

Apartir de um protótipo, está sendo elaborado o desenho de uma máquina cujo objetivo é desfibrar a folha do abacaxi e em segundo plano outras folhas.

material utilizado é chapa em perfil "L" que é a base da máquina entre outros como: polias, eixos, motor, etc.

Ao longo do desenvolvimento do desenho da máquina, estão sendo feitas algumas modificações do tipo distância entre eixos, medidas em geral a fim de se obter o melhor resultado possível.

CONCLUSÃO:

Avaliando os dados da produção nacional do abacaxi ente 1985 e 1994 conclui-se que o ano de 1988 apresentou um crescimento na produção de 32,5% em relação ao ano de 1985.

Rio Grande do Norte foi o Estado que apresentou o maior percentual de aumento com 542%, em seguida o Maranhão com 274%, o Piaui com 175%, entre outros.

O ano de 1990 foi o que apresentou a maior baixa, correspondendo a 72,6% da produção de 1988. O Rio Grande do Norte caiu 63%, em relação a 1988, Santa Catarina 53%, São Paulo 44%, e outros.

Especificamente no Rio Grande do Norte esta produção vem conquistando posição entre os outros cultivos, pois cerca de 7% da agricultura em 1992 era de abacaxi, perdendo somente para a cana-de-açúcar, mandioca e feijão.

Com a aplicação deste trabalho será possível aumentar a cultura do abacaxi no Rio Grande do Norte, beneficiando diretamente os pequenos produtores, e com a criação de Cooperativas será possível a geração de emprego para a população mais necessitada e de renda para o estado, além de incentivar a criatividade doa artesãos no uso da fibra nos trabalhos artísticos.

BIBLIOGRAFIA

  • Anuário Estatístico do Brasil. 1989 - 1995. IBGE - Ministério da Agricultura.
  • Fundação Estadual de Planejamento Agrícola do RN, PB.
  • CHOAIRY, Salim Abreu. A Cultura do Abacaxi- Práticas de Cultivo. EMEPA/PB. 1985.
  • Abacaxi Para Exportação: Aspectos Técnicos da Produção - FRUPEX. EMBRAPA -SPI, Brasília, 1994.
  • KALAMEJA, Alan J.. AUTOCAD para desenhos de engenharia. Makron Books do Brasil Editora LTDA.