REMOÇÃO DE COLIFORMES FECAIS EM VALO DE OXIDAÇÃO TRATANDO EFLUENTES DOMÉSTICOS

ALUNA: JULIANA ROCHA VAEZ - BOLSISTA IC/CNPq - PIBIC
ORIENTADORA: JOSETTE LOURDES DE SOISA MELO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO S/N 59072-970 NATAL/RN-BRASIL

INTRODUÇÃO

A poluição da água por bactérias de origem fecal introduz microrganismos patogênicos, transformando a água num veículo de transmissão de doenças infecciosas. O controle bacteriológico nas estações de tratamento de esgotos, se faz necessário quando há reutilização das águas, pois quando os padrões de qualidade bacteriológica não são atingidos, os indivíduos em contato com tais águas correm risco de saúde. A possível presença de organismos patogênicos em efluentes é determinada através do índice de coliformes, especialmente a espécie Escherichia coli, pois sua presença indica contaminação fecal e provável presença de microrganismos intestinais patogênicos. A mensuração do grupo coliformes é estabelecida por essa espécie se apresentar em grande quantidade nas fezes humanas (Branco e Rocha, 1987), ter resistência aproximadamente similar à maioria das bactérias patogênicas intestinais e pela técnica de identificação e contagem destes ser rápida e econômica (Von Sperling,1995).

O presente trabalho tem como objetivo estudar o desempenho do sistema de tratamento de esgotos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no que se refere ao decaimento bacteriano do processo, isto é, a remoção de coliformes fecais.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA ESTUDADO.

O sistema de tratamento dos efluentes da UFRN consiste, basicamente, de um Valo de Oxidação com decantação secundária.

A primeira operação no tratamento do esgoto bruto é o gradeamento, onde ocorre a remoção de sólidos grosseiros, indo para a caixa de retenção de areia, onde partículas iguais ou superior a 0,2 mm são removidas. O esgoto bruto segue então, pela calha Parshall, onde pode ser medida a sua vazão, sendo bombeado para uma caixa distribuidora e para o Valo de Oxidação, onde é submetido ao tratamento biológico.

O Valo de Oxidação tem um volume de 1.050 m3 e tempo de detenção de 1,5 dias. O aerador é do tipo Gaiola-Hess, com capacidade de oxigenação de 2,6 Kg O2 /Kw. h. O controle de submergência do rotor é realizado por uma comporta.

O efluente do Valo de Oxidação é submetido a uma decantação secundária para remoção de sólidos sedimentáveis. O lodo decantado é parcialmente recirculado de forma a manter uma concentração de 4000 mg/l de sólidos suspensos no tanque de aeração. O excesso de lodo é encaminhado ao leito de secagem. O efluente clarificado é submetido a uma cloração, onde ocorre o polimento da matriz aquosa tratada, para em seguida ser armazenado e posteriormente ser utilizado para irrigação, por processo de aspersão.

VALO DE OXIDAÇÃO

Valo de oxidação é um reator biológico em forma de "U", que pode ser utilizado para qualquer variante do processo de lodos ativados. Tem como princípio uma fermentação aeróbia com reciclo de biomassa partindo de um reator em mistura completa de aeração prolongada ( Gondim, 1976).

O processo de depuração de esgotos ocorre proporcionalmente à quantidade de alimento solúvel ( matéria orgânica) proliferando uma população de microrganismos, que dispondo de oxigênio dissolvido, oxidará o material solúvel (oxidação). Em conseqüência da aeração é formado o lodo ativado (floculação) e o efluente oxigenado fornece oxigênio ao processo metabólico dos microrganismos, promovendo uma maior agitação e um maior contato entre o lodo e a matéria orgânica eliminando os produtos residuários voláteis (Aeração). Dependendo da quantidade de lodo (decantação) ocorrerá uma recirculação ou um despacho para o leito de secagem.

METODOLOGIA DA ANÁLISE

O acompanhamento do sistema em estudo foi efetuado por um período de um ano, com freqüência mensal, de forma a abranger as variações sazonais . Foram coletadas duas porções na entrada do sistema ( esgoto bruto), logo após o gradeamento e após o tratamento biológico ( esgoto tratado) no tanque de armazenamento do esgoto tratado.

A metodologia consiste em investigar a presença de coliformes fecais mais especificamente as Escherichia coli , em placas de petri. As amostras foram processadas pela técnica da membrana filtrante, usando-se membranas Millipore tipo HAWG 047-SO de diâmetro e poros 0,45 m m, e foram diluídas em solução tampão de fosfato com pH 7,2, preparando-se diluição de até 10-4 para esgoto bruto e 10-1 para esgoto tratado. Este método inibe a presença de coliformes não intestinais tais como Klebsiella, pois utiliza um meio de cultura seletivo (MFC-Broth) e faz uso de um indicador ( ácido rosólico) para que pudéssemos identificar apenas as colônias azuis. A incubação efetuava-se a 44,5° C com variação de ± 0,5° C, durante 24h.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

O monitoramento do comportamento do sistema de tratamento de efluentes da UFRN foi realizado no período de junho/96 a junho/97, no que concerne ao decaimento bacteriano. Os resultados estão apresentados na tabela abaixo. Os dados indicam valores da ordem de milhões de coliformes fecais no esgoto bruto e de concentração, da ordem de milhares de coliformes fecais, no esgoto tratado, evidenciando uma remoção microbiológica em todo o período estudado.

O esgoto bruto apresentou resultados variando de 11x106 a 2x106 CF/100ml, com um valor médio de 5,5x106 , enquanto que para o esgoto tratado foi obtido resultados variando de 5x103 a 2x103 CF/100ml, com valores médios de 3,5x103 CF/100ml. Obteve-se, assim uma taxa de remoção média de 99,93%, que representa uma alta valor de remoção, uma vez que, segundo Branco e Rocha (1987), já se tem uma boa redução com taxa de aproximadamente90%.

Foi possível observar uma acentuada redução nos meses de agosto/96 e fevereiro/97 , que provavelmente se deve ao fato de que nesses período a universidade se encontrava em recesso escolar e conseqüentemente a contribuição de esgoto foi reduzido.

MÊS

ESGOTO BRUTO

ESGOTO TRATADO

JULHO

11.106

5.103

AGOSTO

2.106

2.103

SETEMBRO

3.106

3.103

OUTUBRO

5.106

4.103

NOVEMBRO

4.106

3.103

DEZEMBRO

5.106

4.103

JANEIRO

3.106

2.103

FEVEREIRO

2.106

2.103

MARÇO

6.106

4.103

ABRIL

8.106

5.103

MAIO

9.106

5.103

JUNHO

8.106

5.103

JULHO

5.106

4.103

Tabela: Resultados da quantidade de coliformes fecais em 100ml de amostra.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados médios experimentais das análises de bactérias do gênero E.coli, no período investigado, foi possível concluir que o sistema está funcionando a contento, haja visto que se obteve uma concentração de coliformes fecais, no efluente tratado, da ordem de 103 , que segundo exigências da Organização Mundial de Saúde (OMS), pode ser praticado na irrigação e que para atender os padrões acima exigidos, segundo Von Sperling (1995), é necessária uma eficiência de remoção de coliformes da ordem de 3 a 4 log ( 99,9 a 99,99%)

BIBLIOGRAFIA

*Branco, S. M. & Rocha, A . A . "Elementos de ciências do ambiente." São Paulo, 1987.

*Sperling, M. V. " Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos." Belo Horizonte, Depto. de Eng. Sanitária e Ambiental, 1995.

*Gondim, J. C. C. "Valos de Oxidação aplicados a Esgotos Domésticos" São Paulo, 1976.